quarta-feira, 24 de maio de 2017

PLANO DIRETOR E MEIO AMBIENTE


Construir uma cidade é certamente impactar o meio ambiente. Contudo, os maiores impactos talvez estejam na construção e operação da infraestrutura que servem as cidades. São as vias de acesso, as instalações de saneamento básico, as construções de geração e distribuição de energias, que agem provocando transformações desde o momento em que são concebidas, durante a sua implantação e continuam durante a sua operação, e não raramente também na fase de sua desativação.
Vias descontínuas afetam o fluxo de tráfego, causam maior consumo de combustível e maior poluição do ar. Geração ( ou tratamento) e distribuição ( ou coletas) mal planejadas de energia e de saneamento oneram as contas dos consumidores. 
Pode-se entender que os problemas de meio ambiente não estão nos estudos ambientais, mas muito mais em outras áreas da ciência. Conseqüentemente, a redução dos impactos no meio ambiente poderia ser melhor resolvida com o domínio conjunto dessas áreas do conhecimento.
Infelizmente, isso parece que ainda não ocorre com a freqüência necessária. Um exemplo disso está na obra em execução, do Rodoanel metropolitano, com passivos ambientais do trecho Oeste, e quem sabe também dos outros trechos. Esses projetos foram elaborados pela engenharia rodoviária e depois de definidos, foram argumentados como ambientalmente adequados em relatórios conhecidos como EIA-RIMA, utilizando-se de contrapartidas , compensações engenhosas e algumas adaptações. 
Um projeto rodoviário como esse poderia ter resultados melhores, provavelmente sem recorrer a compensações e contrapartidas, se pensados em conjunto, entre a engenharia civil e a ambiental. Por exemplo, a engenharia ambiental estabelecendo as diretrizes para o projeto rodoviário. Assim, a concepção básica da obra já seria feita para o impacto ambiental possível para cada trecho. Algo como a exigência de obras totalmente subterrâneas em sítios com exigência de impacto zero; obras com trechos em túnel e elevados, onde impactos médios fossem tolerados, e obras predominantemente em nível, onde os impactos possam ser tolerados, dentro de níveis estabelecidos. Assim, essas obras já seriam concebidas ambientalmente corretas desde a elaboração do critério de projeto ( ou termo de referência), dispensando os relatórios que se assemelham mais a textos de negociação.
Provavelmente, podemos considerar que se adotando essa forma de trabalho, com entendimento e domínio dos conhecimentos básicos das diferentes áreas do conhecimento, em especial entre a engenharia civil e a engenharia ambiental, seriam produzidas obras mais adequadas, reduzindo os desentendimentos das partes e as dificuldades de aprovação dos projetos.

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